
Serafim Duarte, Grande Timoneiro da Clep na emissão deste fim de semana.
A rádio não é apenas um enorme gira-discos. A prova é este programa feito, aqui e agora, por gente de carne e osso que gosta de pensar, questionar e debater a sua terra e todo o mundo em que vive, sem limites nem formalismos castradores. Clepsidra (Clep prós amigos) Às Sextas, depois do noticiário das 10 da noite, uma porta escancarada às palavras e ideias com João Pedro Gonçalves, António Apolinário Lourenço e Serafim Duarte. www.ruc.fm
Serafim Duarte, António Pinheiro, Filipe Sousa para uma discussão espicaçada por João Pedro Gonçalves. O país e o mundo louco em que vivemos, a falta de ossatura dos políticos da actualidade. Tudo isto num espaço que se prepara para ser a praia da China no ocidente...
Conversas de Café à Mesa da Rádio
Personagens e intérpretes, por ordem de entrada em cena:
João Pedro Gonçalves,
Filipe Sousa,
António Pinheiro,
Serafim Duarte.
Do Futebol à venda das ilhas Gregas para pagar a crise, com a questão se esse não seria um caminho a seguir, desde já, por Portugal.
Que tal a Madeira vendida com o animador Alberto João e, ainda, um bónus chamado José Sócrates. Pelo meio ficaram os dados — altamente positivos — relativamente ao aumento estrondoso do número de hiper-ricos em Portugal. Um dado que, certamente por esquecimento o Primeiro-ministro não frisou hoje no parlamento, ele que tanto gosta de dar boas notícias...
A música em quantidade generosa, e a talhe de foice, na primeira parte desta emissão da clep.
Daqui a pouco vai chegar o António Pinheiro que melhor que ninguém fala do novo presidente do PSD. Os resultados só serão conhecidos daqui a cerca de três horas, mas isso na Clep não significa nada. Pedro Passos Coelho, e não outro dos três concorrentes, é esmiuçado por alguém que com ele trabalhou na jota. Conversa à clepsidra sem meiguices nem rodriguinhos como tanto gostam os ouvintes da Tasmânia
Falta a vermelho nesta edição da Clep para o António Pinheiro e o Filipe Sousa.
Desempenho de mérito do Francisco Costa, do Serafim Duarte, do Tó Oliveira e, claro, do João Pedro Gonçalves.
Livro de Reclamações aberto em clepnanet@gmail.com
Só na cabeça distraída e apressada do João Pedro é que o Bloco e o PSD convergem.
Se não fosse tão apressado a mandar palpites e sound bites, concluiria de forma bem diferente.
As críticas às agências de rating não são da mesma natureza. Aliás já agora a convergência na crítica é extensível às outras forças políticas.
Mas, como tentei dizer no programa:
1. As críticas às agências de rating por parte da direita no poder são hipócritas, inconsequentes e deslocadas. Ainda há bem pouco tempo criticavam os críticos das agências de rating, argumentando que elas só faziam o que lhes competia e que o governo (de Sócrates) é que não estava a fazer o que devia. Moral da história as “opiniões” das agências de rating são boas quando servem a estratégia dos partidos da direita neoliberal na oposição. São inaceitáveis, incompreensíveis e inaceitáveis, quando fazem exactamente o mesmo que sempre fizeram, mas desta vez aos que se dizem ideologicamente seus seguidores … são muito mauzinhos.
2. A crítica que faço é de natureza bem diferente. As agências de rating fazem aquilo que sempre fizeram, e muito bem, atacar empresas e países que se encontrem em situação de maior fragilidade, mas que constituam excelentes oportunidades de mercado. Por outras palavras agrava-se a sua classificação nos ratings, restringindo-lhes o acesso aos mercados financeiros e impondo-lhes taxas de juros elevadíssimas, literalmente asfixiando-os, para depois, completamente subjugados, lhes impor os “ajustamentos estruturais” (linguagem dos mercados financeiros) considerados necessários e imprescindíveis aos seus objectivos supremos: mercados livres de qualquer constrangimento. Ou seja menos Estado, livre de encargos sociais, mercado de trabalho liberalizado e desregulamentado, ataque aos sindicatos e à contratação colectiva de trabalho, atomização das relações laborais, condição essencial para despedir sem entraves, eliminar benefícios sociais, reduzir salários, e assim tornar mais apetitosas as empresas e sectores a privatizar.
3. A táctica dos neoliberais que há muito dominam o FMI, o Banco Mundial e as agências de rating que constituem, aliás, papel fundamental na sua estratégia de guerra económica pela cruzada do mercado livre levada a cabo em todo o mundo pelos seguidores de Milton Friedman, os boys de Chicago, tem sido sempre a mesma em todo o mundo. Em situações de crise económica, a sua intervenção dita de ajuda, consiste sempre em impor condições dacronianas que subjuguem inteiramente os governos às suas políticas de tábua rasa do estado social, de privatização acelerada de todos os activos ainda nacionalizados ou detidos em parte pelo governo, saldando-os ao desbarato às grandes empresas e interesses financeiros internacionais.
4. É exactamente isto que está em marcha. Por isso os ataques dos mercados financeiros à dívida pública, impondo-lhe juros incomportáveis, vão continuar, até atingir totalmente os seus objectivos. O choque económico a infligir tem de ser suficientemente forte e profundo de modo a remover qualquer resistência às chamadas terapias de choque impostas pelo FMI.
5. Por último, uma citação muito ilustrativa de um ex-funcionário do FMI que abandonou a instituição em ruptura com as suas políticas e escreveu uma carta em que a dada altura caracteriza todo o programa de ajustamento estrutural do FMI como uma forma de tortura em massa na qual “os governos e os povos que gritam de dor são forçados a ajoelharem-se perante nós [FMI], de espírito quebrado e aterrorizados e desintegrados, implorando por uma réstia de bom senso e de decência da nossa parte. Mas nós rimo-nos cruelmente nas caras deles, e a tortura continua inabalável”. (Cit, in Noami Klein, A Doutrina do Choque. Ascensão do capitalismo de desastre, Smartbook, Lisboa, 2009, p. 290)